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Reportagem 3
Corpo de mulher desaparecida é encontrado 14 meses depois

Em abril de 2002, o sumiço de outra mulher mobilizou a opinião pública. Fabiana Maria Francisco, 19 anos, segundo a família, saiu de casa para um contato de emprego. Um ano e dois meses depois seu corpo foi encontrado próximo ao lixão de Araquari, SC. No desaparecimento de Fabiana a polícia trabalhava com possibilidades como ela estar “tocando” uma casa de prostituição no Paraná ou que era amante de um “figurão” e estaria escondida, entre outras suspeitas que se tornaram públicas. Nada se confirmou e nenhuma explicação foi dada a família de Fabiana desde que o corpo foi encontrado. Os pais se revoltam com as “barbaridades” que falaram da moça. Agora, com o caso Juliana, hipóteses como estas, algumas exatamente iguais, ganham páginas de jornais, são comentadas em rádios e tevês e se multiplicam com força de boataria que também se consolida como verdade no imaginário da população

                                                                      

                                                                    

                                           Juliana da Silva Souza de Jesus está desaparecida desde 11 de agosto

Família teme

O delegado Renato Hendges, Divisão Anti-Sequestro da Delegacia Estadual de Investigações Criminais, encarregado do caso, em Florianópolis, afirma que o ex-marido (Juca) não tem nenhuma ligação com o desaparecimento de Juliana e tão pouco, qualquer processo. “Investigue a vida dele”, sugere o delegado. Nossa reportagem acessou a internet e descobriu, entre ações judiciais, inquéritos policiais e processos, mais de trinta casos envolvendo o homem que viveu quase dois anos com a Juliana. Segundo Fernandes, a esposa havia dito que o ex a teria mantido, por algum tempo, em cárcere privado, além de ameaçado que a mataria quando a encontrasse, após ela o ter abandonado. Parentes confirmam as ameaças, mas pedem para não serem identificados, dizem temer o Juca. O cárcere privado não foi confirmado pela polícia. Para o delegado Hendges, isso é tudo “delírio

Surra de relho

Sobre o Juca ter comparsas ajudando-o para que ele aparente “estar limpo”, Hendges é ainda mais enfático: “O atual marido dela devia era levar uma surra de relho, por estar dizendo estas coisas”. Dos processos judiciais que envolvem o ex-marido de Juliana e que estão em andamento, dois estão sob segredo de justiça, e esta informação também é pública. Lages, Tubarão, Blumenau, Correia Pinto e Ituporanga são algumas cidades que têm processos arrolados. Num deles, têm mais 24 nomes acusados e ou indiciados. “É uma quadrilha”, diz outro policial. Para a DEIC, o mais provável é que Juliana da Silva Souza de Jesus saiu de casa por vontade própria, abandonando a filha Luana de 9 anos, o marido, com quem estava junto há três anos, os amigos e a empresa que tinha na garagem de casa.
“Não existe nada comprovado. Qualquer hipótese é absurda. Não tratamos o caso como seqüestro, mas como desaparecimento”, finaliza Hendges.


Estatística dos desaparecidos


Para o 1ºTenente Corregedor do 8º BPM, Zelindro Ismael Farias, do Serviço de Inteligência e Reservado da Polícia Militar, qualquer hipótese é possível. “Não estamos descartando nenhuma possibilidade e temos cinco linhas de frente investigando esse caso”, revela. Informações sobre a Juliana podem ser enviadas ao e-mail; desaparecidos@interbureau.org ou comunicada a polícia. Segundo dados do sítio www.interbureau.org , do Bureau Internacional de Buscas a Crianças, Adolescentes e Adultos Desaparecidos, dos últimos 200 desaparecimentos apenas 31 foram encontrados. Juliana da Silva Souza de Jesus, 29 anos, grávida de nove meses, desapareceu no dia 11 de agosto de 2003, em Joinville, SC, Bairro Bucarein, entre 14h30 e 15h. A cesariana estava marcada para a manhã do dia seguinte. Segundo a polícia não há qualquer registro em hospitais públicos no estado de Santa Catarina. Por enquanto, o caso é um mistério insolúvel e sem pistas concretas.


Fonte: Jornal O Vizinho - Ano XII – Nº 508 - 10/2003

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